Governo do Distrito Federal
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12/06/19 às 11h28 - Atualizado em 12/06/19 às 11h33

Centro Olímpico e Paralímpico do Parque da Vaquejada inova com aulas de capoterapia

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Uma das atividades mais procuradas pela comunidade do Centro Olímpico e Paralímpico do Parque da Vaquejada, em Ceilândia, adequa movimentos da capoeira para pessoas sem hábito de prática física ou esportiva. A capoterapia atrai mais de 100 pessoas, semanalmente, ao local. Os idosos, que integram boa parte das duas turmas disponíveis, entram no compasso do berimbau para, nas primeiras horas da manhã, extravasar toda a energia, sendo o método considerado até uma variedade de terapia alternativa.

 

De acordo com o responsável pelas aulas de capoterapia da unidade esportiva, Márcio Clayton Barbosa Viana, 39 anos, mais conhecido como Mestre Márcio, a modalidade transformou o estilo de vida de boa parte dos alunos. “Tinham vários alunos com problemas de depressão, coluna, dor no corpo, na cabeça, tinha gente que tomava oito tipos de remédio por dia e hoje não precisa mais tomar nem tomar o da pressão. Esse é o maior ganho que recebo”, destacou o professor, que atua no COP da Vaquejada há quatro anos.

 

Exemplo disso é a aposentada Clarice Lopes, de 70 anos, que passava os dias em casa solitária, com sintomas claros de depressão. Após a insistência das vizinhas, ela resolveu conhecer a capoterapia no Parque da Vaquejada. “Melhorou totalmente a minha vida. Hoje até faço caminhada todo dia. Controlei minha pressão e não sinto mais dores pelo corpo, principalmente na coluna, além de estar sempre na companhia de meus amigos da turma. Estou muito melhor”, ressaltou.

 

Clarice acredita que a atividade contribuiu diretamente para escapar de uma situação perigosa, em Ceilândia. Neste ano, quando voltava para casa, encontrou-se entre uma briga de gangues, que trocavam tiros. “Fiquei no meio do fogo cruzado, sem saber para onde ir. Dei uma carreira na direção contrária. Se fosse antes da capoterapia, não ia dar conta de correr daquele jeito”, relatou. Histórias de superação semelhantes fazem parte do cotidiano da turma.

 

O aposentado João Batista Marques, 71 anos, sempre gostou de praticar atividades físicas. No entanto, há três anos, quando decidiu conhecer o Centro da Vaquejada, viu sua qualidade de vida dar um salto. “Estou curado de dores que sentia pelo corpo, que incomodavam muito o meu dia a dia. Agora até na Corrida de Reis estou participando. Comecei na capoterapia e hoje faço também hidroginástica e ainda me aventuro na pista de corrida. Me sinto outra pessoa”, pontuou.

 

No Centro Olímpico e Paralímpico do Parque da Vaquejada, as aulas de capoterapia iniciaram em 2013, com o professor William, que dois anos depois, foi transferido para atuar na direção de outra unidade esportiva. Quando o Mestre Márcio assumiu a função, as turmas contabilizavam cerca de 20 pessoas. A animação e a dedicação aos alunos, marcas das aulas do professor, fizeram a diferença para o crescimento do interesse da comunidade na atividade.

 

“Eles se sentem acolhidos. A capoterapia veio para mostrá-los que são capazes de dançar e ser felizes. Antigamente, a questão do idoso era muito sistemática. Ele era obrigado pela sociedade a ficar em casa tomando remédio para poder melhorar. A gente criou essa alternativa e hoje eles preferem vir para cá a ir ao posto de saúde. Muita gente vem triste com dor, faz a aula e esquece. A dor vai embora. Voltam alegres e felizes”, explicou.

 

As dores no joelho e na coluna faziam Maria Freitas, de 51 anos, tomar três injeções todos os meses na farmácia. Quando o médico determinou o uso de um remédio tarja preta para combater a insônia, ela decidiu adotar um exercício físico em sua rotina para melhorar naturalmente. “Minha filha viu que o COP estava com inscrições abertas, então pedi para me inscrever em uma atividade. Há menos de um mês na capoterapia, não sinto mais nada e não tomo nenhuma medicação”, completou.

 

Assim como a capoeira – que determina a graduação do praticante de acordo com a cor de sua corda –, a capoterapia também classifica o aluno conforme a coloração do seu lenço, que determina quantos anos o aluno pratica a modalidade. O lenço cinza é dedicado aos praticantes que completam um ano de atividade. Os anos seguintes correspondem, respectivamente, às cores verde, amarela, azul, verde e amarela, verde e azul, verde-amarela-azul. A condecoração máxima, o lenço branco vai para quem pratica capoterapia há oito anos.

 

“Faço entrega de lenço todo ano em uma cerimônia. Eu só entrego o lenço se a família estiver presente no dia. A família que coloca o lenço e amarra no pescoço do aluno. Tem caso do filho que não tinha vontade de ver a mãe, que reclamava o tempo inteiro, e agora tem prazer em visitá-la. Esse trabalho é que faz a alegria da gente. Os alunos se encontram para passear. Hoje podem ter uma vida normal, que não tinha antes, devido o excesso de medicação. A questão psicológica é muito forte”, completou Mestre Márcio.

 

Capoterapia – Saiba Mais

Em um posto de saúde de Taguatinga, em 1995, o Mestre Gilvan deu os primeiros passos para a criação da capoterapia. Ele combinou elementos lúdicos e musicalidade, presentes na cultura do idoso, com as cantigas de roda, sem deixar de lado o trabalho aeróbico da capoeira. A modalidade respeita a condição física, as potencialidades, os limites e as características psicológicas individuais do praticante. Hoje existe o curso online, sendo Mestre Márcio formado na segunda turma de capoterapia.